19 de dezembro de 2009

Única saída

"Não sei o que quero, mas estou a procura de algo. Algo que ainda não consegui nem sentir aqui. As coisas tornaram-se piores quando passei a não sentir nada. E o nada transformou-se em solidão, em tristeza.  Talvez a atitude que esteja tomando seja egoísta, mas não já não consigo me lembrar da última vez que fiz algo por mim. 
Antes acreditava que era uma pessoa "abençoada" por ser tão altruísta. Gostava de ser assim, me fazia bem. Só que outros, vendo como era, aproveitavam-se do meu jeito. Final na história: eu sempre muito mal e o todo mundo bem. Depois de isso se repetir milhares e milhares de vezes decidi acabar com isso. Outro problema; não é fácil mudar você mesma de uma hora pra outra. E terminou do mesmo modo de sempre, eu com meu altruísmo, consumindo-me contra minha vontade. Percebi que não tinha solução, de um jeito ou de outro sempre era eu a prejudicada.
Enquanto todos esses conflitos passavam-se, tinha que ser uma filha exemplar e sempre deixar meus pais orgulhosos. Não porque eles queriam isso, eu queria dar isso a eles, porque percebia que incondicionalmente era o que, realmente, desejavam. Nunca consegui. Falhei em tudo o que tentei. Não consegui achar nada em que eu realmente fosse boa. 
Sentia-me tão pequena dentro desse mundo enorme. A cada dia que se passava todos esses pensamentos depressivos me consumiam mais. Então passei a evitar as pessoas. Não as queria perto de mim, porque não era boa o suficiente pra conseguir manter um relacionamento. Nesse mesmo tempo foi a primeira vez que tive vontade de acabar com tudo, fugir. Mas logo descartei. Serei fraca demais fazendo isso, pensei. E continuei vivendo assim, sem vontade de mais nada. Até que percebi que não seria uma atitude fraca e sim a minha escolha, a minha vontade. Tudo ficou perfeitamente claro, as coisas ao meu redor eram do jeito que eram porque eu não devia existir. Se não estivesse aqui tudo seria melhor. Foi assim que tomei minha decisão. Não me arrependo nem por um segundo. Devo confessar que, pela primeira vez em muito tempo senti algo que pode sim ser chamado de felicidade. 
Peço a todos com que tive contato que não sofram, porque eu estou bem, essa foi a solução que encontrei para fazer com que minha história tenha um final feliz.
Adeus, 
Olivia."

O corpo de Olivia foi encontrado no banheiro de sua casa, com um pacote de veneno de rato ao lado, duas horas após o ocorrido. Segundo o laudo policial, ela ingeriu o suficiente da substância para dentro de 15 minutos não sentir mais nada.
A família não quis se pronunciar sobre o fato, apenas afirmaram estar muito abalados. Nunca imaginaram que a menina pudesse fazer uma coisa dessas. Olivia Machado Silva faleceu na noite de Sábado (12/05), ela tinha 18 anos.

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